ADEUS NILMAR, ADEUS CAMPEONATO BRASILEIRO
Fabrício Carpinejar

Arte de Delacroix
O técnico bicampeão brasileiro Rubens Minelli tinha uma tática imbatível para vencer a partida.
Habituado a dizer que jogava contra doze, o time adversário mais o juiz.
Era óbvio que o árbitro faria das suas bobeiras, que não marcaria pênalti, que seria complacente com as infrações dos desafiantes e rigoroso com a marcação cerrada de seus defensores.
"Primeiro preciso vencer o juiz e depois cuido do oponente".
O Inter deve aumentar sua resistência e atuar contra treze, o adversário, o juiz e o próprio técnico Tite.
O que aconteceu com o Inter, que desce ribanceira abaixo no campeonato brasileiro? Perdeu a liderança, perdeu duas finais (Copa do Brasil e Recopa) e o Grenal, abandona o G4 e amarga uma série de derrotas e empates improváveis?
Tite atingiu seu limite. Está com respiração artificial. Nunca vi um técnico trocar tanto a equipe e errar sucessivamente as substituições para tentar reverter o resultado. É um sufoco maçante e previsível, arrancar um tento no final que nunca vem.
Como confiar no Tite se ele ainda acredita no Leandrão? Ainda acredita no Danilo Silva? Ainda acredita no Marcelo Cordeiro? Como? Ainda acredita no Bolívar na lateral-direita?
Ele quer uma família, não um time. Quer cúmplices, não profissionais. Quer álibis, não atuações responsáveis.
O que adianta ter o controle do vestiário se Tite não tem o domínio do campo?
Os piores líderes de seitas também mandam e têm o controle do vestiário. Jim Jones incitou 900 integrantes de Peoples Temple (Templo dos Povos) a cometer suicídio.
O Inter transformou-se numa seita apocalíptica. Unida e firme na derrota, totalmente despersonalizada (sintomático que não há nomes dos jogadores nas costas das camisas, pode ser um como qualquer outro).
Todos sempre estarão agarrados num naufrágio. Isso não é integração, é medo.
O plantel está cansado fisicamente porque joga desorganizado. Não se economiza, entra em lances perdidos, corre para recuperar vazios e cobrir ausências. Explique-me a desagregação molecular do segundo tempo? O fôlego dura 45 minutos. Magrão vive um ostracismo muscular. D' Alessandro parece um moicano em extinção. Taison é um pião sem corda.
Não há tática, nem entrosamento, a zaga toma gols idênticos e falha com veemência (excetuando Sorondo, o único que escapa do terror), não usamos as pontas e os flancos, recorremos aos chuveiros desesperados do meio-campo, às entradas datilografadas e às tabelas didáticas num centro engarrafado e protegido, é preciso torcer que aconteça uma seqüência de quatro passes certos. A derrota de 3 a 2 para o Botafogo (que flertava a zona de rebaixamento), no Engenhão, neste sábado (25/07), arrebentou o dique.
Tivemos Nilmar, um dos melhores atacantes brasileiros, e não modelamos um time para aproveitá-lo. É como se ele não existisse. Olha o que Coritinhians fez pelo Ronaldo? Armou uma constelação para servi-lo. Custo a entender o subaproveitamento de um craque. É um crime desvalorizar um atleta formidável. É injusto afirmar que todos são iguais. Não são iguais, a infelicidade sempre nos diferenciou.
Tite fica, continua ficando, e quem dá adeus ao Beira-Rio é o Nilmar.
Uma burrice centenária.
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