XÔ URUCA!
Fabrício Carpinejar e Mário Corso

- Maria, você estava comigo quando fugimos da seca nos sertão.
- Estava.
- Maria, você estava ao meu lado quando perdemos nosso filho.
- Estava.
- Maria, você estava junto quando o nosso armazém faliu.
- Estava.
- Maria você estava sentada ao meu lado quando nos roubaram o Chevette.
- Estava.
- Maria, você estava ao meu lado agora que eu tenho câncer.
- Estava
- Sabe Maria, você me dá um puta azar!


O futebol transforma os céticos em supersticiosos, e os supersticiosos viram religiosos na hora do jogo.

Faz tempo que observamos que o Tite não acerta o time. Não que seja um desastre, e nem que joguemos tão mal assim, mas ultimamente tem algo fora do eixo. Na conclusão o chute espirra, o centroavante erra gol feito, nada funciona. Se não marca, Alecsandro não é ninguém porque não ajuda em mais nada. Seu jejum ultrapassa 300 minutos. Não tem a velocidade de Nilmar, que era capaz de jogar bem mesmo não pontuando nas redes. Todos os jogadores estão abaixo da expectativa. Taison passa a sensação de que está com febre amarela, mole, profuso.

Aliás, a camisa do centenário só provou que o Inter amarelou. Falta tingir o uniforme de sangue. 

São quatro jogos sem vitória (além dos dois da desclassificação na Sul-Americana). O colorado perdeu de 2 a 0 neste domingo (4/10) para o Coritiba, empatou com o Flamengo em casa, sucumbiu ao Vitória no Barradão e tropeçou diante do Cruzeiro em casa. Dos doze pontos disputados no Brasileirão, conseguiu mísero um logo no funil das últimas rodadas. Desperdiçou a chance de assumir a liderança e agora está fora do G-4. A marcação falha, a zaga tornou-se uma das mais vazadas, o ataque deixou de ser o mais competente, temos uma das piores campanhas do 2º turno.

E Tite troca tudo que é posição e  não muda o escore. É um desespero no vestiário, aquece reserva, entra, chama outro e a partida parece uma peneira dos juniores. Não arma coisa alguma, amontoa desastres.

Qualquer comentarista acredita que, com esse elenco, dá para ir melhor, fazer um pouco mais, e esse um pouco mais, hoje, nos daria a ponteira da tabela e o título. Mas o técnico, mas o técnico, mas o técnico desfruta do apoio inacreditável da direção.

O torcedor sua frio, tem o pesadelo que o Celso Roth comanda o Inter, acorda assustado, e quando olha o Tite no reservado tenta voltar a dormir para ver se o pesadelo volta.

Como a razão não comove os dirigentes, vamos para o andar de baixo. Achamos que a sorte do Tite morreu, era um talismã, rendeu, ganhou, e  mudou de lado. Terminou naquele gol mágico do Andrezinho contra o Flamengo. Depois disso foram espasmos de reação e uma corrente contínua de azar. Uma alternância de três vitórias e três derrotas, embriaguez seguida de ressaca violenta, o campeonato inteiro com recaídas e internações em clínica de desintoxicação.

Tite, você estava conosco nas finais da Copa do Brasil contra o Corinthians.
Tite, você estava treinando naquelas duas partidas lamentáveis, difícil saber qual a pior, contra a LDU.
Tite, você estava no banco nesse último Gre-Nal que eles viraram.
Tite, você estava quando recebemos o Corinthians em casa e, ao invés de uma vingança, confirmamos a apatia de freguês.
Tite, você estava no comando contra o Palmeiras com aquelas bolas todas na trave, aproveita e explica, por que tantas bolas na trave ultimamente, não é um sinal?
Tite, você estava dirigindo o jogo naquele domingo que perdemos em casa para o Cruzeiro quando os mineiros dominaram totalmente o meio-campo?
Tite, era você que escalou o time contra o Universidad de Chile quando começamos a Sul-Americana com o pé na jaca?

Sabe Tite, você nos dá um puta azar! Vai esfregar sal grosso no corpo.

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