O CAVALO DE MANOEL
E A ESTRATÉGIA DE MÁRIO SÉRGIO
Fabrício Carpinejar e Mário Corso

Arte de Leonardo da Vinci
O português tinha um cavalo que era uma maravilha, bonito, rápido e não havia carga que não puxasse, mas o Manoel achava que o cavalo comia demais. Então, o Manoel teve uma ideia brilhante, foi tirando a ração do cavalo. Cada dia desfalcava um pouco mais e o cavalo seguia trabalhando, abruptamente emagrecido. Vejam que grande azar: no dia em que o cavalo aprendeu a trabalhar sem comer, ele morreu.
Isso nos lembra um time mágico, rápido, atuava bonito, comovente, não tinha gramado ruim para ele. Mas era um time caro, então os Manoéis tiveram uma ideia: vender um jogador expressivo. Venderam e o time seguia ganhando, não era um espetáculo, mas seguia em frente. Então os portugas pensaram: quem sabe mais um? O time perdeu a magia, o embalo, queimou a gordura acumulada, mas ainda ganhava. Por que não mais um e mais um? E quando o time ficou barato, mas vocês nem sabe que azar: justamente agora não ganhava mais de ninguém e enforcaram o técnico!
É a história subjetiva do Internacional neste último triênio, que testou os limites do seu plantel. Ao ganhar, pensou que não era suficiente, poderia vencer e também economizar. Tomado do orgulho do título mundial, os cartolas passaram a não considerar nenhum atleta indispensável.
O Inter tornou-se maior do que o seu futebol.
No momento em que supera a marca de cem mil sócios, dispondo de uma condição orçamentária privilegiada diante dos rivais, decide ser avarento. É uma burrice extremamente ousada. Ao invés de segurar os craques, desandou a vender. Tirava mais um e jurava que nada mudaria. Desde a conquista da Libertadores, seguiram o rumo do aeroporto Tinga, Sóbis, Alex, Alexandre Pato e Nilmar. Com um deles, o tetracampeonato estaria garantido.

Mário Sérgio: Adão sem Eva.
A tal ponto que o Inter avança no Campeonato Brasileiro por sedentarismo. Conseguiu diminuir a vantagem de nove para quatro pontos do líder Palmeiras porque todos os seus adversários perderam ou empataram nas últimas duas rodadas. Não é o Inter que mostra serviço, cochilou em casa com o Atlético Paranaense (1X1) no último sábado (10/10), são os outros que tentam dar o título de presente para o seu centenário. Tite caiu, assumiu Mário Sergio, e herdou toda a improvisação do elenco. O grupo numeroso e profuso, carente de várias posições e com duplicidade em setores desnecessários, é o eletrocardiograma da direção. Taison não é mais Taison sem Nilmar, o time é lento no contra-ataque, Alecsandro funciona somente plantado na pequena área, a regra é meia e atacante assumirem as laterais, uma confusão tática, um tumulto pelo centro do campo, uma movimentação capenga e o desespero incontrolável dos chuveirinhos para resolver de qualquer jeito.
Até entendemos o motivo do cancelamento de treinos pelo Mário Sérgio. Ao descobrir o que tem em campo, reuniu todo o time para secar. É a única coisa que vem funcionando. O Inter é imbatível na secação.
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