DIA DA MARMOTA
OU O CENTENÁRIO AZARADO

Fabrício Carpinejar e Mário Corso

Quem briga pelo G4 está fora do G4, quem briga pelo título está dentro do G4. O Grêmio vem tentando há um bom tempo chegar ao quarteto premiado e sempre esbarra como visitante. Nunca estará no G4. O Inter - enquanto brigava pelo título - permanecia no G-4, agora está em 5º (não caiu para sexto porque o Cruzeiro vacilou diante do Fluminense) e deve se contentar novamente com a Sul Americana (mirando ilusoriamente o G-4).

Matemática simples. 

Não conheço um time que seja tão ruim, tão medíocre na reta final como o Inter. É o quase, está virando piada nacional. Todos apostam nele no início da competição, é o favorito moral e vai se imoralizando ao longo da competição. Foi assim em 2006 e 2007, ficando em 2º lugar, atrás do Corinthians e São Paulo, foi assim em 2008 e  repete a ladainha das derrotas nas partidas derradeiras de 2009. Quando faltam sete rodadas, o Inter entra em colapso. É um hábito, imaculando a imagem de campeão do primeiro turno. O Saci bem que poderia fazer uma prótese na perna direita. Não dá mais para continuar pulando com um pé.

O colorado não tem competência, que sobra para o São Paulo, que é capaz de emendar um tri. Os paulistas jogam mal e ganham. Placar magro, mas avançam. São objetivos nos objetivos. Palmeiras reforçou o elenco, quer o título, ainda que seja também instável nos duelos decisivos. O Atlético corre por fora, com mais garra e atrevimento do que estrela. O Inter é somente escandaloso no vestiário, nunca em campo, vive arrumando uma explicação para justificar seu tombo, seja o juiz, seja expulsões ou lesões. Duvido que não culpe a temperatura de 40º.

Era a competição mais tranquila para se vencer. Não há favorito, a maioria tropeça, os resultados paralelos ajudam, mas o Inter tem a síndrome da insuficiência em pontos corridos. Se a Libertadores fosse por pontos corridos, o Inter nunca seria Campeão do Mundo. Ele consegue se concentrar no mata-mata, em adversários isolados, por isso alcançou o vice-campeonato na Copa do Brasil. Sucumbe em longas jornadas, obrigado a manter a regularidade e constância. Ganha duas para perder duas. É um velocista posto numa maratona (o São Paulo é o mais completo maratonista, some da ponta para reaparecer ao final, no momento certo, e com fôlego para arrebentar a fita).

Inexplicável a partida contra o Botafogo neste domingo (1º/11), no Beira Rio. Levou um gol de falta aos 2 minutos e teve o jogo inteiro para reagir e não assustou nem o torcedor. Contou com um jogador a mais em campo, André Lima foi expulso, e parecia que atuava com um a menos. O técnico Mário Sérgio sacou um zagueiro (Índio) para colocar mais um ponta (Taison), além de tirar Daniel para colocar o ofensivo Bolaños. Nem a loucura produz sorte. O ataque virou um caçador - todos fugindo da bola ou tentando entrar na área por chuveirinhos (tudo bem que estava quente).

Inter é o campeão de escanteios do campeonato. E deu. De quinze levantadas hoje, por exemplo, nenhuma estufou as redes. O encontro com os botafoguenses poderia durar três dias que a bola não ultrapassaria Jéfferson.

Desde 1979, passa ininterruptamente pelo Dia da Marmota. Com o raro talento de piorá-lo.

Não conheço clube que se consagrou no ano do centenário. Uma maldição de zumbi. Veja o caso do Grêmio (caiu em seguida para a 2ª Divisão), Coritiba e Atlético (nada a comemorar), Flamengo (que conquistou somente a Taça Guanabara em 1995).

O jogo com o Botafogo encerra o ano. É simbólico, se o time não faz o possível não fará o impossível.

Poucas vezes na história do Inter um primeiro semestre prometeu tanto e colhemos uma miséria no segundo. O Gauchão não vale: enfrentou um Grêmio numa época capenga. Bater nos pequenos é fácil. Projetamos o ano baseado nessa experiência menor. E não estamos tão mal na tabela pelos gols do Nilmar no começo da temporada.

O futebol não é só feito de superstições. Erramos demais. Num espaço de um ano vendemos quatro jogadores cruciais, aqueles que são a diferença. Terminamos o ano com os cofres cheios e a barriga vazia.

A questão central não é essa, gastamos um ano e um plantel num técnico que não empolgava sequer os mais caxienses. Não adianta ter uma Ferrari e dar para o Rubinho. Não construímos um padrão de jogo, um espírito de corpo. O nosso time é um bando - cadê Virgulino? Com o que gastamos em jogadores, não dava para contratar um técnico com mais experiência? Deixamos passar a cantada do Murici para honrar a palavra com o Tite. É de cortar o pulso com Bolacha Maria.

Resta a festa do centenário, quem vai?

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