D`ALESSANDRO TREINADOR

Fabrício Carpinejar

O cargo do Fernandão estava ameaçado e quem se ferrou foi Dorival Júnior, de novo.

Já é costume o Dorival decepcionar no Beira-Rio e ser despachado pelo seu antigo diretor técnico.

Tornou-se piada interna.

Flamengo ajudou a recuperação do clube gaúcho. É uma colmeia em fuga. O único brilho vem de um Vágner Love isolado e renitente.

A goleada de 4 a 1 em cima do Mengo na tarde de domingo (2/9), em Porto Alegre, foi uma miragem.

Não pense que houve a retomada natural de gols do colorado, que ele desencalhou (leia texto abaixo).

O time não mudou, a grande diferença de vitalidade não se deve ao esquema tático armado pelo Fernandão, mas ao retorno do fabuloso D`Alessandro.

O febril argentino bombeou o sangue do elenco, foi uma transfusão de equilíbrio e consistência. Terminou a anemia do meio-campo.

Ele ressuscitou Forlán e Damião com passes exatos e triangulações inteligentes.

Forlán ganhou duas barbadas e não perdoou.

Damião agiu como pivô, servindo seus colegas de área, e também guardou o seu em corajoso peixinho.

Hoje a torcida descobriu que D`Alessandro é o verdadeiro treinador colorado (o declínio de Dorival coincidiu com sua lesão).

Enquanto estiver em campo e disposto, o campeonato está a salvo.

FERNANDÃO PRECISA DE SORTE?

Fabrício Carpinejar e Mário Corso

Nos últimos quatro jogos no Campeonato Brasileiro, o Inter fez um ponto de doze possíveis, perdeu três (Corinthians, Grêmio e Coritiba) e empatou uma (Portuguesa). Em 360 minutos, alcançou apenas um gol. E de um zagueiro, Juan, de cabeça.

O ataque deixou de existir no comando de Fernandão, logo ele um cabeceador nato e da estirpe matadora das horas decisivas.

Leandro Damião - conhecido pelo seu letal oportunismo - não vem encaixando o chute.

O astro uruguaio Diego Forlán - famoso pela sua pontaria - vem errando lances inacreditáveis na cara do goleiro. Contra o Coritiba e o Grêmio, foram de uma displicência infantil.

O time não se fala, não se comunica, não se ajuda, não tem posicionamento.

Todos os centroavantes que deixam o Beira-Rio por amargar a reserva voltam a encontrar a artilharia em outros escudos: Andrezinho (Botafogo), Alecsandro (Vasco) e Jó (Atlético). Será que é puro acaso?

Ao longo das coletivas, Fernandão vem culpando o azar: a bola não entra. Só faltaria a bola entrar e tudo mudaria.

A bola não é filha da casualidade. Mas da técnica e do talento.

Como um treinador, que encarna a figura da ciência do campo e do conhecimento aplicado, pode alegar que o time só perde em função da sorte?

É negar seu papel, é cuspir em seu salário, é anular sua função.

Se futebol é sorte, o Inter deveria chamar um macumbeiro, um cartomante, um bonequeiro de vodu, um xamã, enfim um especialista na área, para comandar o elenco.

Em desmoronamento de edifício, o engenheiro responsável pela obra não terá a ousadia de explicar que foi o vento.

Não é que a bola não entra, não há esquema vitorioso, não há jogada ensaiada, não há tranquilidade para estufar as redes.

A falta de gol não representa um detalhe, é a essência do drama colorado.

É uma farsa a frase "jogamos bem, mas infelizmente não marcamos". Jogar bem é fazer gols, equação simples, sem firulas.

A pressa e ansiedade são sintomas do desentrosamento. O passe errado e o desespero são consequências do despreparo. 

O plantel desaprendeu a amar o futebol.  Ele atua noventa minutos como se fossem os descontos de uma derrota: chuveirinho na área e chutão pra frente.

A bola não entra, Fernandão, por carência de treino.

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