CAMPEÃO DO EMPATE

Fabrício Carpinejar e Mário Corso

Arte de Francis Bacon

É uma pena que a CBF não preveja prêmio para o campeão do empate, o título seria do Internacional.

O campeão da covardia. O campeão da neutralidade. O campeão da falta de iniciativa. O campeão da retranca. O campeão do anti-futebol, afinal merecia um destaque à parte e uma plaquinha no troféu da CBF.

No sábado (6/10), o Inter empatou novamente com o Santos. É seu décimo segundo empate. Naquele mesmo esquema, sai perdendo e corre atrás da desvantagem. É uma valentia do desespero após o atraso ou a bobeira da zaga. É uma reação para se livrar da derrota, nunca para alcançar a folga.

Adversário grande ou pequeno, em grande frase ou com péssimo retrospectivo, a armada de Fernandão joga sempre igual. Uma monotonia apesar da troca permanente de peças e da alternância do plantel. 

Preferível o ganha-perde do Dorival Júnior, que garantiu a participação na Libertadores de 2011, do que a estabilidade bovina em vigor, que arrancará uma Sul-Americana no máximo.

Não resta emoção ao torcedor do Beira-Rio. O colorado nem luta na cena debaixo, muito menos briga pela ponta (oito pontos de diferença do 4º lugar Vasco). É um desempenho fantasmagórico, de completo figurante. 

O último caneco foi em 1979, o que explica que seu desempenho ainda está calcado no tempo em que vitória valia dois pontos e empate não pesava como mau resultado.

No Brasileirão, o time parece que não se atualiza e traduz a moeda. Guarda a pontuação no colchão. Não converte os cruzeiros em real.

Antes, nas décadas de 70 e 80, empate fora de casa correspondia a um triunfo. Hoje significa dois pontos perdidos, vacilo e estagnação na tabela.

Caso o Inter estivesse em 1979, com seu desempenho de 2012 e pontuação antiga, estaria entre os quatro primeiros da zona de classificação da Libertadores. A diferença no momento de 20 pontos para o Fluminense cairia para 12 pontos.

O que revela que o clube não privilegia uma postura agressiva, de domínio e controle, de superioridade técnica, de "vamos vencer o campeonato do início ao fim". Ainda se prende aos velhos padrões de cautela e defesa, da escola da sorte e do contra-ataque.

Com o modelo de pontos corridos, nenhum clube com empates chega a lugar algum, só patina e atola. Não existe mais o valor moral de não perder. Evitar a derrota é também fracassar.

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