DESABAFO DE CORSO: A MATEMÁTICA DOS MAIAS

Mário Corso

Segundo os Maias, os nossos dias estão contados. Embora os detalhes do apocalipse não sejam revelados, dia 12 de dezembro acaba tudo. Embora essas previsões nunca dêem certo, dessa vez a torcida do Internacional tem algo para esperar: depois da reeleição do Luigi o fim do mundo não seria uma má ideia. Afinal, faz meses que assistimos ao brasileirão sem emoção, quer dizer, a única emoção é não perder feio, só um fim do mundo poderia mexer com nossos nervos.

Mais dois anos dessa direção ninguém merece, que venha o fim do mundo! Ou esse é o fim do mundo em drágeas e não percebemos? Errar todos erram, faz parte da vida, mas errar tanto é outra coisa. E mais: existem erros perdoáveis e erros imperdoáveis. Improvisar um técnico no Internacional não se perdoa. Comprar jogador errado entende-se, sempre é uma aposta, mas colocar Falcão e Fernandão no comando da equipe é um absurdo. Técnicos custam caro pois são raros, improvisar com isso é o caminho do desastre. Podemos improvisar um zagueiro, um atacante, até um goleiro, mas nunca um técnico.

Antes da partida com a Ponte Preta nossos jogadores disseram que jogariam pela honra. Uma excelente ocasião para ficar com a boca fechada, pois revelou-se que a honra (que aliás já imaginávamos) era de segunda divisão.  Dizer que o time é mercenário é desmerecer os mercenários; é mais do que isso. Com uma chance de chegar a Libertadores aquele coletivo (chamar de time ofende os outros times) não engrenava, que dirá jogando por laranja. Com a Portuguesa não foi outra coisa, um time sem ideia, sem esquema, sem pensamento.

Nosso time é a cara do seu presidente. Tudo é demorado, hesitante, sem rumo, sem esperança, sem coragem. O mistério é saber o que os conselheiros que o elegeram viram nele que nós não vimos. Arriscamos um palpite: esses conselheiros pensam com cimento e ferro na cabeça, pensam que um time é seu estádio. Nada mais errado, o estádio é a roupa de um grande time, nunca um objetivo. Vendemos nossa alma por um novo estádio. Invertemos as prioridades. Teremos uma grande roupa para festa nenhuma.

O torcedor colorado só se pergunta em que esquina de 2012 o seu time perdeu o rumo. Faz tempo que o Internacional é uma equipe zumbi, joga porque tem que jogar, não existe gana, não existe objetivo, é um time sem sede. Nada o motiva. A falta de vocação para a vitória paralisa a criatividade e se abre para o espectro do jogo burocrático, chato, sem genialidade. Jogamos porque mandam jogar, melhor se ficássemos em casa.

Agora chega o Gre-Nal, poucas vezes um clássico tem um resultado previsível tão claro. Já  sabemos o resultado: o Grêmio ganha, só não sabemos de quanto. Vamos apenas perder ou ser humilhados? Essa é a dúvida que arrastaremos essa semana. Nosso palpite é que uma goleada histórica se desenha.

Os próximos passos são de desmontar o time que não deu certo e esperar outro técnico provisório. Nada que estimule um torcedor. Mas não desanime, dois anos passam depressa, e não existe possibilidade (ainda) de três mandatos.

Qual será o planejamento dessa gestão que se inicia? Nesse ano já nos tiraram da libertadores, o que nos tirarão ano que vem? A Sul-Americana? E no próximo, sairemos da primeira divisão? Aguardem.

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: