O MAIOR PAPA COLORADO

Fabrício Carpinejar

Estou consternado com a renúncia do Papa Bento XVI. Engarrafei minhas lágrimas na manhã dessa segunda-feira (11/2) e coloquei o rótulo de Fonte Ijuí.

Não esperava sua decisão de abandonar o Vaticano, mas entendo sua desistência. Ele é um milagreiro, o Laçador de São Pedro, o Teixeirinha alemão.

Nunca um papa fez tanto pelo Rio Grande do Sul.

Meu desejo infantil é gritar na sacada para a Praça Tamandaré: Ratzinger é gaúcho!

Largou o pontificado por cansaço espiritual.

O Inter de Porto Alegre realmente exigiu demais, forçou além da conta. Nem a Guerra Fria cobrou o mesmo empenho estratégico. Nem o doutorado em Teologia sobre Santo Agostinho pediu igual habilidade religiosa.

Bento XVI consagrou-se como o maior papa colorado. Desde que sucedeu João Paulo II,  em 2005, o Internacional ganhou o Mundial Interclubes, duas Libertadores, duas Recopas Sul-Americana e a Sul-Americana. Transformou o time das margens do Guaíba numa potência mundial, superando as façanhas do rival tricolor. Em sua gestão, atendeu as preces de milhares de torcedores insatisfeitos com as sucessivas e melancólicas derrotas na Libertadores (em especial, as emblemáticas de 1980, vice-campeonato com Falcão e tudo, e 1989, quando caiu para o Olímpia em casa na semifinal).

Antes dele, o máximo que o Rolo Compressor conquistou no exterior foi torneios de menor expressão na Espanha, Escócia e Japão.

No comunicado oficial, Bento XVI afirmou que "não tem mais forças" para exercer o cargo. Ele completará 86 anos em abril.

Temo o que possa acontecer durante a 'sede vacante'. 

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