CADA UM É ONZE

Fabricio Carpinejar 

D'Alessandro afirmou que o saldo do ano do Inter é positivo, com o título do Gauchão e o terceiro lugar na Libertadores. O que me impressiona, além da resignação do craque e capitão, é a incoerência de seu depoimento. O ano nem acabou! Não é hora de desamarrar as chuteiras. Não é o momento de realizar balanço, não entramos em recesso de férias, o Brasileirão não está encerrado. Só deve ser feito o levantamento das contas com o fim da tabela, não antes. Antes soa como desistência. Antes soa como desculpa para não fazer mais nada. 

O julgamento de 2015 do Inter, se será animador ou negativo, depende das próximas cinco rodadas, deflagradas a partir desse sábado contra a Ponte Preta, com três jogos em casa e dois fora. Será positivo com a entrada do time no G4 ou G5 (se Santos ganhar a Copa do Brasil e se mantiver em quarto no Brasileiro). Será positivo se devolver o vexame do último Gre-Nal - superar o Grêmio em casa significa uma questão de honra, reparação do orgulho ferido, missão inadiável que requer clima de decisão. Deixou de ser um confronto de três pontos para configurar em uma final à parte. O manto vermelho pede um bordado reforçado na história com o seu rival. 

Não é uma tarefa fácil que emerge na finaleira da competição, porém não impossível levando em conta o nível do plantel: é necessário vencer quatro dos cinco adversários pela frente e torcer para tropeço do São Paulo com três pontos à frente do Inter. 

O campeonato começa agora, não se recomenda baixar a cabeça ou corpo mole. É juntar as forças e redobrar o sangue nos olhos, é não culpar a sorte ou azar pela ausência de resultados. 

Dois objetivos precisam frequentar a mente de Argel: entender que o apagão não é sobrenatural ou um cochilo circunstancial, mas crise de preparação física, cansaço mesmo, já que o time começa bem e toma virada, e aceitar que as ausências consecutivas de Sasha e D'Alessandro (hoje ele joga) e a queda de rendimento de Alex (coadjuvante de luxo) comprometem a produção ofensiva. O saldo negativo do ataque (o pior desde 2003) não é problema do ataque, ou de Vitinho ou de Lisandro López, e sim da armação que não vem servindo os seus artilheiros - Valdivia é uma exceção já que busca o jogo e executa ao mesmo tempo. 

Que cada um seja onze em campo, que cada um seja os doze pontos que faltam para a Libertadores de 2016.


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