GARRINCHA PORTEÑO

Fabricio Carpinejar

É tudo com você, D'Alessandro. Sem Valdívia, sem Sasha, sem Nilton, sem Wellington, é com você, meu capitão. É só com você. 

Atuou poucas partidas no Brasileirão devido à hérnia de disco, mas os quatro jogos que restam justificam o campeonato. É o seu campeonato a partir de agora. É a sua decisão. Nunca o colorado precisou tanto de seus escanteios, de suas cobranças de falta, de seus lançamentos precisos, de suas arrancadas furiosas, de seus disparos envenenados no ângulo. 

Nas adversidades, você não joga, você se apresenta, tangueiro das laterais. Acostumado a misturar lágrimas e suor, o mesmo sal platino. 

O ano não acabou para você, D'Alessandro. Enquanto todos terminam, você começa. Enquanto todos morrem, você ressuscita. 

Você é um armador de exceção durante a paz, mas San Martín na guerra. 

Estamos em guerra, D'Alessandro. Chame os seus soldados para combater pelo manto vermelho, El Cabezón. Serão doze pontos de uma nova cicatriz no rosto. 

Você que finta pisando na bola, pisa na bola para provar quem manda, você que tem duas pernas canhotas, você que é o nosso garrincha porteño. 

Você que cria uma cancha de salão na área adversária, dilata o espaço, transforma a pelota em elástico, transforma o esférico em cadarço da chuteira. 

Nenhum time se apequena com uma liderança. Nenhum time se apequena com um regente. Nenhum time se apequena com um general. Nenhum time se acovarda tendo você na trincheira, guerreando junto, multicampeão pelo Inter, com uma Libertadores, um Recopa e uma Sul-americana nas costas. 

É só com você, D'Alessandro, anjo vingador do Gre-Nal, com oito gols nos clássicos. 

Ê só com você, meu capitão, que domina o impossível no peito e chuta o improvável para as redes. 


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